sexta-feira, julho 18th, 2008
Rita Wainer, moça de linhagem exemplar, deixa a equipe da 2nd Floor para se dedicar aos seus projetos pessoais de moda e arte.
Tudo bem que os veículos têm uma linha editorial e as marcas uma linha criativa, que devem ser seguidas por quem quer que esteja à frente da execução. Mas é claro que tudo acaba saindo com fortes toques pessoais.
Logo agora, que a 2nd Floor esté em uma maré boa, uma substituição desse naipe pode ser altamente negativa, não? Aquele desfile megalomaníaco da penúltima estação, do trem, para bilhões de pessoas no horário do rush foi nhé, depois teve esse, bastante elogiado, e agora ficamos com frio na barriga, é isso?
Voto sim para a Ellus chamar Floriane de Saint Pierre e pedir para que ela abra sua pastinha de currículos que arrecadou enquanto esteve no Brasil (até o de Pedro Lourenço, tá?).
Foto da RG Vogue.
quarta-feira, junho 18th, 2008
Começou. Foi dada a largada à mais uma semana de moda paulista. A SPFW já está fervendo, a Bienal está toda enfeitada. Já caiu parede, já teve desfile, já teve zum-zum-zum com celebridades. Tá uóh! Lucasof está lá, direto do Lounge da Vogue e eu estou aqui, direto do lounge da minha casa. A party começou com o desfile da Osklen que, se depender de mim, fali! Incrível como eles acertam em cheio em uma coleção e erram feio na outra. Lembram a de inverno 2008, quando os modelos surgiram com perucas e roupas supercoloridas? Pro verão, roupas molengas e sem graça, sem cor, sem vida.
A mulher não tem uma forma definida para a Osklen. O tecido é mole, mole, assimétrico, com cores neutras e um “quê” brilhoso. Os homens usam calças com pregas, largas, franzidas. Nada legal. Os tecidos me lembraram plástico. E, de boa, que é esse chapéuzinho de caiçara na cabeça? O modelo da última foto fez a Cleópatra, né?
Patrícia Vieira chegou com uma mulher mais chique, mais slim e mais… mulher, mesmo. Nada de moda para jovem, só roupas para serem usadas no dia-a-dia, mas com um plus de glamour. Silhueta mais definida, calças com cinturas mais altas, estampas listradas, tudo nos remete aos anos 80. Mas eis que surge um visual amarelo, com mais brilho, uma saia que – ao meu ver, tem um cetim pregado e justo. Patrícia sabia exatamente o que deveria fazer: valorizar a mulher, mas valorizar ainda mais a sua roupa. Ela conseguiu.

2nd Floor é vida. Dito isso, a grife trouxe para a passarela uma moda jovem, límpida, ideal para o dia-a-dia. Jovens ousados, contemporâneos e despojados usam essa marca. O desfile começa com um moulage que, acho eu, foi realmente feito no corpo da modelo. Evasê, livre, com um tecido leve, a grife permanece assim por todo o decorrer do desfile. Ao contrário da Osklen, a marca começa impressionando. Patchwork, coletes, uma mistura de estilos, cores sobrepostas, tudo isso junto cria o look casual da marca.
Para os meninos, um chapéuzinho do Sr. Indiana Jones e um lenço no pescoço gera um visual incrível e diferente. Eu quero a camiseta do Superman, fato. O desfile masculino foi super jet-set. Do liso, a grife vai direto para o estampado e o colorido. Um look verde-limão chega na passarela e, erroneamente, insiste. Roupas sem formas, sem caimento, jogadas no corpo finalizam o desfile da coleção. Bem ousada, essa 2nd Floor.

Fórum Tufi Duek fez o que sempre soube fazer: roupa para mulheres elegantes. Com uma paleta de cores cruas, quase todas as roupas eram beges, lembrando a areia. A silhueta ganhou curvas e cortes bastante ajustados. Detalhe para os vestidos de um ombro só, com uma manga solta, leve e flutuante e para os tomara que caia.
Fabia Bercsek pode ter gasto uma baita grana para montar o seu desfile. Mas ela ganhou tudo de volta no patrocínio. Repara os looks com um “Adidas” escrito na frente. É, moda comercial, gente… Enfim, o make já detonava qualquer coisa, a produção do cabelo, a aparência de boneca das modelos, as roupas de couro, slim, marcando o corpo e as referências aos quimonos japoneses deixaram o desfile lindo de doer. Para um extra, algumas golas e mangas davam um supervolume, desmontando o look seco. A bonequinha de Fabia usa preto, rosa e estampado. E é tudo muito gracioso.

Marcello Sommer fez seu desfile no MAM, e, por isso, achou que podia criar obras de artes. Até pode, vai… Conceitual, o desfile foi cheio de personagens, todo um estilinho meio clown, as roupas caracterizavam enfermeiras, freiras, palhaços, qualquer coisa que você usaria em uma festa a fantasia do colégio. Só que 100 vezes mais caro. Sommer apostou na graça, nas cores ousadas, nos babados, nos volumes, nas listras. Ele misturou tudo o que podia virar conceito, ser usável um dia, e botou na passarela. Se acertou ou não, a gente espera para ver como andarão as suas vendas…